Quem banca o futebol feminino?

O Galo é um dos poucos clubes brasileiros que tem patrocínios exclusivos para a equipe feminina: o Guaraná Antártica e o Centro Universitário de Sete Lagoas (Unifemm), que além de pagar pelo espaço na camisa, também oferece descontos e bolsas de estudo para as vingadoras. Durante o jogo-treino contra o América na última sexta-feira, dia 16, a coordenadora de Futebol Feminino Nina Abreu destacou a importância da parceria para que as atletas possam jogar e continuar seus estudos.

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No geral, as equipes femininas estão à sombra da modalidade masculina e recebem os patrocínios por extensão, uma estratégia para garantir o mínimo de financiamento para o time. A iniciativa é inspirada na Inglaterra e é o oposto do que tem sido feito na Espanha, segundo informa o portal Máquina do Esporte. Lá, assim como faz a Uefa, os departamentos comerciais são separados. As cotas para a Liga dos Campeões feminina e masculina são vendidas separadamente e a Visa e a Nike são patrocinadoras do campeonato delas. Aqui, o Guaraná já era patrocinador das duas seleções e no ano passado assumiu o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino.

Muitas vezes nem o pouco dinheiro que a Confederação disponibiliza chega às atletas. A ajuda de custo que a CBF enviou para manter a modalidade durante a pandemia, de R$ 120 mil, foi desviado da equipe feminina do Vitória e as jogadoras ficaram três meses sem receber, até que denunciaram a situação e conseguiram que a dívida fosse quitada. 

E se está ruim para as equipes, pior ainda para as atletas: a grande Marta jogou o Mundial de 2019 sem patrocínio, por não considerar justas as propostas que recebeu. No basquete, Erika de Souza (cujo extenso currículo acumula um título da WNBA, oito do campeonato Espanhol, uma Euroliga, uma LBF e quatro participações em Olimpíadas – sem nunca ter sido patrocinada) denuncia que apenas os kits que as marcas enviam aos atletas do masculino já valem mais que o salário que as jogadoras recebem.

Em agosto do ano passado, uma pesquisa da consultoria Brand Finance revelou que o futebol feminino deixa de faturar US$ 1,2 bilhão em patrocínios por ano em comparação com o masculino no mundo todo. Como declarou ao Terra, o CEO da Brand Finance acredita que o crescimento da modalidade tem trazido uma mudança mais permanente na dinâmica dos negócios, bem como na dinâmica social do futebol, que pode fechar essa lacuna no mercado de patrocínio de futebol feminino.

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