Outubro Rosa – Prevenção e a Feminilidade

O mês de outubro está acabando, mas não poderíamos deixar de trazer aqui algumas informações e até mesmo reflexões sobre a campanha que da cor ao mês, o outubro rosa. O movimento teve início nos EUA na década de 1990, quando uma fundação organizou uma “Corrida pela cura”. Alguns anos depois se identificou que em vários lugares do país e também fora dele, haviam organizações de corridas como aquela. Aqui no Brasil a primeira ação aconteceu em 2002 em São Paulo, com a iluminação na cor rosa do Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, no Parque Ibirapuera. Seis anos depois o movimento já era forte no território brasileiro, mas apenas em 2010 que o INCA – Instituto Nacional de Câncer – começou a apoiar oficialmente a campanha. O Outubro Rosa é, desde 2018, previsto em lei aqui no Brasil.

Corrida pela Cura em Nova York 2013. Imagem retirada da internet.

A intenção do Outubro Rosa é conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama – se toque! Além disso, traz um alerta para o acesso a serviços de saúde, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento da doença. Ele é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, atingindo cerca de 29% das brasileiras. Mas é aqui que começa a minha primeira, digamos, crítica.

A Campanha do Outubro Rosa é incrível, assim como outras campanhas de prevenção com temáticas tão necessárias. Mas, ao mesmo tempo, ela tem excluído uma parcela de seu público.

 Começamos então com a problematização da utilização da cor rosa. A intenção do uso dessa cor é remeter a uma questão do feminino, e aí temos dois problemas. O primeiro é a exclusão de homens como alvo da campanha – sim, homens também tem câncer de mama! O segundo é aquele discurso de que “meninas usam rosa e meninos usam azul”. Não atoa temos o novembro azul!

Essa cultura impregnada de coisas de gênero é um tanto problemática. São estereótipos que a nossa sociedade insiste em manter, e mais do que isso, promover. Às vezes passa até despercebido! Quem foi que falou que cor tem sexo? Que cor tem gênero? Essas limitações de possibilidades, de ‘papéis’ sociais, colocam sempre a mulher em lugares tradicionais, conservadores, mantendo a lógica de incapacidade para realização de certas funções ou mesmo ocupação de alguns lugares por nós. É aquela coisa, mulher é (ou deveria ser) delicada, feminina, cuidadora, frágil…Acredito, ou espero, que você já tenha se conscientizado sobre tais questões. Aqui no Galo Delas sempre repetimos que seu gênero, sua cor, sua orientação sexual, nada disso pode te impedir de trilhar aquilo que você deseja pra si! Não é ser mulher que vai me dizer que devo me comportar de um jeito ‘X’, ou o ser homem que vai te impedir de ter emoções, por exemplo.

Foto por Ave Calvar Martinez em Pexels.com

Entramos então na questão masculina. Sim, um pequeno problema que fica sempre esquecido no Outubro Rosa. A utilização da cor que limita a aproximação do homem com o objeto da ação, impede também a conscientização de que o câncer de mama também atinge pessoas do sexo masculino. O site do próprio Ministério da Saúde, que traz informações sobre o movimento e o diagnóstico, nem mesmo cita a possibilidade de a doença acometer os homens! O percentual é baixíssimo, mas existe. Apenas 1% dos homens são acometidos pelo câncer de mama no Brasil em relação às mulheres.

O problema aqui são dois: a falta de conscientização sobre, que pode ser ‘justificada’ pelo baixo índice – mas não custaria nada um pouquinho de informação sobre isso, não é – e a identificação do homem portador da doença como inferior aos outros, menos masculino – e tudo que vem junto a essa lógica da masculinidade.

Com a deixa da masculinidade, entramos no mundo do futebol, mais específico o Galo, que é o que nos interessa mais por aqui! A primeira ação do Atlético em relação ao Outubro Rosa foi a venda de uma blusa na mesma cor, ação que realiza praticamente todo ano. Me desculpem às vezes parecer chata, mas para mim também temos problemas por aqui. O primeiro é o fato de ter só a versão feminina – e em tamanhos questionáveis, como sempre. O segundo é a lógica comercial e utilizar de um movimento apenas para fins de consumo. A mim soa como banalização da causa. Sei que isso está longe de ser um problema exclusivo do Galo e da Outubro Rosa, mas fica a reflexão.

Outra ação realizada pelo clube, em parceria com o BMG, foi a alteração da cor do patrocínio do banco na camisa utilizada na última partida do time, contra o Sport. Ainda alterando uniforme de jogo, a equipe feminina entrou em campo nessa segunda, dia 26, contra o Vasco no retorno do Brasileiro A2 utilizando meião rosa. Essas ações também são bastante comuns aos clubes – tivemos esse ano a bizarrice de ver o goleiro Bruno com uniforme rosa em campo em prol de uma campanha ‘feminina’.

Foto: Pedro Souza / Atlético

A mais recente, e provavelmente última, ação do Galo dentro da temática foi o anúncio feito ontem de doação de cinco camisas com o patrocínio em rosa para instituições que combatem ao câncer de mama. A ideia é que elas possam arrecadar recursos com tais camisas. A ação foi a mais interessante dentre elas, mas mesmo assim não escapou da minha crítica! O motivo? Ela foi divulgada pelas vingadoras e apenas no perfil dedicado exclusivamente (a gente até pode questionar isso, mas é tema para um próximo texto) ao time feminino. É a ideia que já refletimos aqui de ser uma campanha apenas para mulheres, como se mulheres acompanhassem o futebol feminino e homens o masculino. Lógica? Pois é, também não encontrei!

Espero que as ideias que trouxe aqui hoje contribuam para algumas reflexões pessoais para você leitor. A minha intenção não é mudar cor de campanha, nem perto disso, apenas que reflitamos sobre as formas sutis que a sociedade reafirma os papéis de gênero. E não poderia deixar de encerrar este texto com algumas informações sobre o câncer de mama retirados do site do Ministério da Saúde:

Possíveis sinais e sintomas:

– alterações no tamanho ou forma da mama;
– nódulo único e endurecido;
– vermelhidão, inchaço, calor ou dor na pele da mama, mesmo sem a presença de nódulo;
– nódulo ou caroço na mama, que está sempre presente e não diminui de tamanho;
– sensação de massa ou nódulo em uma das mamas;
– sensação de nódulo aumentado na axila;
– espessamento ou retração da pele ou do mamilo;
– secreção sanguinolenta ou aquosa nos mamilos;
– assimetria entre as duas mamas;
– presença de um sulco na mama, como se fosse um afundamento de uma parte da mama;
– endurecimento da pele da mama, semelhante a casca de laranja;
– coceira frequente na mama ou no mamilo;
– formação de crostas ou feridas na pele junto do mamilo;
– inversão do mamilo;
– inchaço do braço;
– dor na mama ou no mamilo.

O aparecimento dessas anormalidades pode ocorrer de forma isolada ou simultânea. É importante lembrar que esses sinais nem sempre indicam a presença de um câncer, sendo necessário consultar um médico para ter o correto diagnóstico.

Dicas de hábitos ideais para uma rotina saudável:

alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer de três em três horas, em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os alimentos industrializados;
– evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais;
– procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino;
– pratique exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de atividades físicas moderadas ou 75 minutos de atividades vigorosas divididas pelos dias da semana;
– planeje o seu dia alimentar e tente segui-lo.

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