Pela primeira vez, o manto é delas!

A blusa das vingadoras já chegou nas lojas físicas do Galo! Começou ontem a venda das camisas oficiais do time de futebol feminino do Atlético e temos perspectiva de grande procura por esse manto especial no momento de ascensão da modalidade. Estão à venda as camisas de jogo 1 e 2, sem patrocínios ou numeração, pelo valor de R$175,99 cada. Infelizmente, foi confirmado que os modelos são apenas femininos (tamanho P ao GG), então não teremos modelos nos tamanhos masculino, infantil ou juvenil – e ainda não entendi o porquê de o clube decidir não marcar esse golaço.

Foto: Reprodução / Instagram

Todo ano, torcedores criam grande expectativa sobre o lançamento e apresentação dos uniformes que serão utilizados pelo time [masculino] na temporada. Os clubes contam com o sucesso das vendas, independente dos preços exorbitantes que impõem. É algo que faz parte da rotina de quem acompanha o futebol [masculino]. E, aqui, eu insisto: estamos acostumados com essa prática, mas apenas quando se trata do futebol masculino. E precisamente por isso, o lançamento e início das vendas do manto das vingadoras guarda algo muito mais especial e histórico do que a torcida imagina.  

Desde o fim da proibição do futebol de mulheres, em 1979, muitas coisas têm mudado. Sabe-se que, durante as décadas de 80 e 90, algumas equipes femininas defenderam o Galo, mas o clube não guarda registros da época e não se sabe precisamente quais as condições que eram oferecidas a elas. Foi partir dos anos 2000 que a modalidade começou a ganhar destaque no Atlético.

Time feminino do Atlético em 2008 Foto: Acerto pessoal Ivi Casagrande

Em entrevista ao Galo Delas, algumas ex-atletas do clube revelaram que recebiam uniformes usados pela equipe masculina na temporada anterior. Ivi Casagrande, que atuou pelo Atlético em 2007 e 2008, contou que as camisas eram enormes e estampavam patrocínios que não iam para a modalidade, mas que as atletas vestiam com muito orgulho.

A meio-campista Aline Milene, que atualmente defende a Ferroviária, viveu algumas das transformações que a modalidade passou dentro do clube. Ela defendeu o Galo de 2007 a 2012 e contou que, em seus primeiros anos no clube, o uniforme era reaproveitado – quando havia troca de patrocinadores, elas ficam com as “sobras” do time masculino. Com o tempo, a situação foi melhorando e as atletas começaram a receber uniformes próprios, com tamanhos adequados e sem patrocinadores.

Time feminino do Atlético em 2012. Foto: Acervo pessoal Aline Milene

Agora, pela primeira vez na história do Clube Atlético Mineiro, a equipe de futebol feminino recebeu uma linha exclusiva de uniformes e os modelos estão disponíveis para [parte] da torcida. A modalidade avança e tem sede de vitória!

A nossa vitória, porém, não pode ser pequena, precisamos vencer e convencer. Para isso, não podemos nos contentar com uma estratégia de marketing limitada. Há muito tempo, não se pode dizer que temos preços populares para produtos oficiais do clube, mas limitar os tamanhos dos modelos deixa as camisas ainda mais distantes da maioria da massa atleticana. A nossa torcida não é composta apenas por mulheres e o futebol feminino também pode ser interessante e emocionante para os homens. Eles também querem usar a camisa das nossas vingadoras.

Além disso, a criação de uma linha de uniformes própria para o futebol feminino deve vir acompanhada de um plano de incentivo à modalidade. Queremos inspirar gerações e gerações de meninas e permitir que elas sonhem com um futuro no esporte. Queremos fazer brilhar os olhos das crianças, criar nossas próprias heroínas e encher de alegria o coração da garotinha que pode usar a camisa do seu time. O galo precisa investir na nossa equipe e deixar que toda a torcida atleticana vista e ame essa camisa!

Foto: Pedro Souza / Atlético

A mudança na tradição da camisa principal também chama bastante atenção. Historicamente, todas as camisas 1 de jogo do Atlético seguem o padrão do escudo e possuem listras pretas e brancas verticais. Para o futebol feminino, em uma espécie de teste, adotaram listras diagonais. À primeira vista, causa estranheza e não há um vínculo imediato à memória atleticana. Felizmente, ao que indicam os comentários nas redes sociais, a alteração fez certo sucesso, mas foi um risco que o clube correu e “coincidentemente” escolheram o futebol feminino como cobaia.

Tudo isso pode passar despercebido aos olhos daqueles que enxergam apenas o futebol masculino, mas representa muito para nós, que caminhamos juntas rumo à vitória do futebol de mulheres. E está na hora de virarmos o jogo!

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