Até quando o desprezo e o desinteresse da FMF?

*por Bárbara Mendes e Renata Lemos

O Campeonato Mineiro Feminino começou e a FMF segue parecendo não se importar com a realidade da modalidade. A baixa adesão dos clubes à competição é explicada de forma muito simples: o futebol feminino não tem as condições financeiras que a federação quer ou imagina que eles tenham.

Foto: Bruno Cantini / Atlético

A Federação exige que os times profissionais femininos e masculinos tenham as mesmas responsabilidades, que começam na taxa de filiação, de seiscentos mil reais, apenas para citar um exemplo. Fora isso, são tantas outras taxações para permitir o acesso à competição profissional organizada pela federação que nem cabe a listagem. Os clubes também devem arcar com os custos dos jogos, como equipe médica, ambulância, etc. E agora, com a pandemia, a testagem para a Covid-19 também fica por conta dos clubes.

É importante a gente lembrar que a realidade financeira do futebol feminino é extremamente precária. Os clubes lutam para conseguir patrocínios que, em geral, são permutas por serviços necessários. Não existe negociação de compra/venda de atletas, não existe bilheteria. Assim, a entrada de recursos financeiros é muito limitada. Mas a FMF insiste em dizer que nada disso importa, importa somente a nomenclatura ‘profissional’. Para ela, essa simples burocracia é suficiente para colocar o Campeonato Mineiro Feminino no mesmíssimo patamar do masculino.

Para além disso, o campeonato não tem premiação. FMF alega que não seria de sua responsabilidade a garantia de patrocínio, cabendo a ela apenas fazer o regulamento e a tabela. Entretanto, se não cabe à instituição organizadora, caberia a quem? A quem fica delegada a responsabilidade de busca de patrocínio para um produto da própria federação? Resumindo: o clubes tem altíssimos gastos para se filiar e se manter filiados, precisam arcar com custos de viagem, hospedagem e realização da partida, e no fim não existe nenhum tipo de retorno financeiro.

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Não por menos, semana passada assistimos a uma cena lamentável. Atletas da equipe do Ipatinga/Ideal foram pedir dinheiro em sinais de trânsito da cidade para pagar viagem e hospedagem em Belo Horizonte para o jogo contra o América. Não é vergonha nenhuma às atletas, que fique claro. A vergonha é inteiramente da FMF que não consegue enxergar que a modalidade precisa sim de ajuda!

Como explicação para a situação bizarra vivenciada pelas jogadoras no campeonato, o diretor de competições da FMF culpa o ano atípico de 2020, mas esquece que as falhas da federação com a modalidade feminina antecede a pandemia.

Outro problema que a competição enfrenta é a transmissão de jogos. Ano passado a FMF firmou contrato com a MyCujoo. Este ano esse vínculo não existe. Os clubes negociaram por conta própria suas transmissões.

Os jogos com mando do América não tem transmissão. A TV oficial do clube não tem tido interesse de mostrar jogos de sua equipe feminina. Assim, as partidas no SESC Venda Nova são quase como “jogos fantasma”, como disse a jornalista Natalia Andrade pro Deus me Dibre. Só os presentes nesses jogos conseguem dizer sobre ele.

E nesse ponto, a gente volta um pouco pra culpa dos clubes, mesmo com o que já pontuamos anteriormente: onde estão as redes sociais dos times e a sua equipe de comunicação para garantir que as torcidas possam acompanhar a competição, bem como que as atletas tenham seu trabalho apreciado e reconhecido? A gente fala aqui para além das tvs, das transmissões por imagem. Um simples ‘minuto a minuto’ nas redes sociais já ajudaria e muito o acompanhamento da partida por parte do público, mas isso não acontece!

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Bom, poderia ter acabado por aqui, mas não! As coisas nunca são tão ruins que não possam piorar! Como dissemos, a FMF exige que o clube seja profissional para disputar a competição, ou seja, precisam ter registro junto à federação. A contrapartida todavia não existe, nem mesmo dentro das quatro linhas. As equipes escaladas para apitar partidas contam com árbitros do quadro amador, como aconteceu no jogo das vingadoras contra o Ipatinga! Nem mesmo o Mineiro Sub-20 masculino conta com juízes do quadro amador. Não era pro Futebol Femino ser tratado da mesma forma que o profissional masculino? A FMF quer um campeonato profissional, que os clubes sejam profissionais, mas ela mesma usa da competição como testagem e treino para a arbitragem. Isso é inadmissível!

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