Tudo novo, de novo

*Escrito por Bárbara Mendes e Renata Lemos

No dia 11 deste último mês, os conselheiros do Atlético votaram para eleger a nova diretoria do clube. O então presidente, Sérgio Sette Câmara, havia sinalizado, ao longo do ano, o interesse de renovar seu mandato e continuar à frente da instituição. Entretanto, sem apoio político e percebendo que não seria reeleito, abdicou da concorrência. Com uma única chapa disputando a eleição apoiada pelos investidores do Atlético, Sérgio Santos Coelho, que já havia sido vice-presidente do clube entre 1998 e 2006, nos mandatos de Nélio Brant e Ricardo Guimarães, foi agora eleito presidente do Galo.

Sérgio Coelho, que assumirá a cadeira da presidência em janeiro, junto com José Murilo Procópio, seu vice-presidente, já tem mostrado suas pretensões para o clube e o futebol. Em entrevista à Rádio da Massa, na segunda-feira (28), o presidente eleito falou de uma modernização na administração do clube. A ideia é apresentar ao Conselho Administrativo uma nova proposta de estatuto em que o poder do presidente seja menor, com criação de comissões que gerenciem áreas específicas. Nas palavras dele:

“Eu acho que esse estatuto a ser feito tem que tirar muito poder do presidente. Onde o presidente resolve sim as coisas, mas que tenha comissões, órgãos. Vamos dar um exemplo: me parece que no Santos, vai vender um jogador hoje, tem uma comissão que aprova valor de venda, se vai vender ou não, etc. Então, a gente tem que ir fechando isso. Não desconfiando da capacidade ou honestidade do presidente, mas é para dividir as responsabilidades com o objetivo de diminuir os erros”.

É claro que o projeto de gestão está ligado, principalmente ao futebol masculino, mas outras categorias e modalidades não foram totalmente esquecidas. O investimento na base é um dos pontos, considerados por ele, essenciais para o desenvolvimento do trabalho. Esperamos que a base do futebol feminino esteja nesse pacote! À Rádio da Massa, Sérgio Coelho falou sobre os planos para as Vingadoras: o estabelecimento de uma diretoria voltada para a modalidade. A ideia parece interessante. A proposta, porém, é de que o cargo seja voluntário, sem remuneração e provavelmente ocupado por algum conselheiro do clube.

“Pretendo – é uma pretensão que ainda preciso estudar um pouco mais – ter um diretor de futebol não remunerado, que talvez seja até um conselheiro, para tocar esse futebol. Uma pessoa capaz, que possa estar ligada diretamente com a Nina, para melhorar o fluxo de decisões do dia a dia do futebol feminino”, afirmou.

Sabemos que uma grande falha até aqui em relação ao futebol feminino foi o distanciamento administrativo. Nina Abreu, que hoje ocupa o cargo de coordenadora do Galo Feminino, fica quase isolada na administração da equipe. As aproximações de gestão que tínhamos até então, no mandato de Sette Câmara, eram com Domenico Bhering, diretor de comunicação, e Lásaro Cândido, vice-presidente. A aproximação administrativa é importante para o desenvolvimento da equipe alvinegra. É preciso que a pessoa que ocupa a cadeira superior do clube enxergue e entenda o futebol feminino como um projeto e não como uma obrigação. O que não aconteceu com o último presidente!

Sérgio Coelho já traçou seu objetivo para as Vingadoras em 2021, e não esperávamos diferente: o acesso no Brasileiro.

“Subir para a A. Esse é o nosso objetivo. Qualquer competição em qualquer esporte que o Atlético estiver competindo é para disputar lá em cima. Eu já tenho uma reunião marcada com a Nina para a gente conversar. Já pedi ao nosso diretor de marketing e negócios, Leandro Figueiredo, para que fizesse um grande projeto para o futebol feminino no sentido de vender o futebol feminino a empresas como MRV, Bmg e tantas outras aí. Nós precisamos trabalhar isso”.

Sem esperar que todas essas propostas sejam executadas, o Galo já se movimenta para 2021. Após o fim do Campeonato Mineiro, Hoffmann Túlio já havia anunciado que algumas atletas tinham recebido propostas de outros clubes. Poucos dias depois, noticiamos as jogadoras que não teriam seu contrato renovado: Dani, Manu, Joyce, Gabizinha, Tati e Lorena foram confirmadas pelo clube como não mais integrantes da equipe. Outras também se despedem. Karol, remanescente do projeto de 2019, se despediu em suas redes sociais e seguirá seu caminho em outros gramados. E Natália Andrade noticiou que a volante Nath também não renovará seu contrato, informação ainda não confirmada pela diretoria.

Ainda há pouca notícia sobre as atletas que seguem por aqui.  Marcella foi uma das atletas que confirmou sua permanência em 2021. Outras ainda seguem negociando, mas clube ainda não confirmou nenhuma continuidade para além da comissão técnica. Reforços também estão sendo especulados. O jornalista Christian Maia noticiou que a zagueira Bruna Cotrim é a nova contratação do Galo. A assessoria do clube não nos confirmou a informação, dizendo que segue negociando com ela e algumas outras atletas e que quando tiver a confirmação, noticiarão.

Esperamos que 2021 seja um ano mais alvinegro, com o tão sonhado acesso à série A1 do Brasileiro. Seguimos acompanhando as movimentações do clube na manutenção de um elenco, de um projeto, entendendo que o desmanche não é o caminho ideal. Tendo novos objetivos traçados, o desejo  para o ano que se inicia é  de que todo o foco e planejamento aprendidos e executados nesse último ano, tão adverso, não sejam esquecidos.

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