Pela profissionalização do todo

Hoje é o Dia do Atleta Profissional. Há poucos anos, acompanhamos com alegria a profissionalização do futebol feminino no Brasil e no mundo. Normativas de FIFA, Conmebol e CBF impulsionaram a criação e a manutenção de equipes e campeonatos perenes e cada vez mais competitivos. 

As jogadoras são contratadas com carteira assinada e todo começo e final de ano acompanhamos, ansiosas, as dispensas e contratações da temporada. Ficamos de olho em jovens promessas e almejamos craques consagradas em nossos times. Conhecemos o estilo de jogo de cada comissão técnica, xingamos e fazemos juras de amor. Enfim, acompanhamos uma modalidade esportiva, como tantas outras.

Claro, isso tudo com ressalvas. Afinal, não seria futebol feminino sem muito sofrimento envolvido (esperamos que não para sempre): ainda há casos de jogadoras que chegam a passar fome, pois clubes profissionais não fornecem sequer uma ajuda de custo; e nem vou começar a falar sobre o descaso das federações estaduais. Isso sem contar a enxurrada de violência que algumas jogadoras têm recebido apenas por finalmente conquistarem o tão merecido holofote.

Podemos pensar também sobre a profissionalização do restante da cadeia produtiva que circunda e dá sustentação ao esporte. O que seria do atleta sem alguém para cuidar da sua carreira? O agenciamento de jogadoras de futebol é um nicho em expansão, mas tem seu custo. Esses profissionais cobram uma porcentagem do salário das atletas, que em sua grande maioria ainda é baixo. 

Raramente temos acesso aos rendimentos delas, principalmente entre os clubes mineiros. Podemos supor que esse valor tem crescido aos poucos, com a valorização da modalidade, mas a grande maioria não recebe mais de dois salários mínimos. Em clubes maiores, o elenco pode ganhar uma média de três salários, talvez. O Corinthians, um clube que se destaca no cenário nacional, provavelmente tem os maiores vencimentos da modalidade.

Então, poucas podem pagar pelo serviço. E mesmo quem faz o investimento também pode sair prejudicada, porque o trabalho ainda não é dos melhores. Assim como o próprio futebol feminino, o agenciamento de atletas também está se profissionalizando. É comum que ex-jogadoras, com pouca ou nenhuma experiência ou noção sobre esse tipo de negócio, integrem essas equipes. Essas empresas costumam oferecer serviço de design gráfico para divulgação do trabalho das clientes, mas muitas vezes as artes são de baixíssima qualidade – isso quando os empresários não usam fotos sem autorização, expondo suas clientes a riscos jurídicos.

Ainda na comunicação, os jornalistas têm papel essencial na divulgação e no fomento do futebol feminino. E por mais que eu, por exemplo, seja uma jornalista, o resto da equipe do Galo Delas não é. E nós não temos a pretensão de ser um veículo profissional de comunicação, apesar de atuarmos sempre de maneira correta, primando pela informação e pela defesa da dignidade do time e das pessoas envolvidas. Na imprensa tradicional e na fotografia esportiva, podemos contar nos dedos os profissionais dedicados e especializados no assunto.

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