Se prepare, Brasileiro A1, que eu to chegando!

Esse é um pós-jogo diferente. É o melhor pós-jogo da história! As lágrimas escorrem o meu rosto enquanto eu tento colocar em palavra o significado de tudo isso. As Vingadoras estão na elite do nacional!!! Elas empataram com o América no jogo de volta das quartas de final do Brasileiro A2, nesse sábado. Por conta da vitória por 3 a 1 na primeira partida o Galo agora pega o elevador e se junta aos melhores do Brasil.

Foto: Yuri Laurindo

Antes da bola rolar a emoção já era muita. Vimos uma movimentação fora dos padrões da torcida atleticana. Eram muitos animados e esparançosos de que o dia 17 de julho seria histórico para o nosso clube. Várias páginas se movimentando, mídia tradicional comentando, até o Atlético resolveu prestar mais atenção no que estava prestes a acontecer.

Em campo, uma quantidade supreendente de jornalistas cadastrados para cobrir o jogo do campo – já que é sempre Galo Delas e Onze Minas os únicos que se fazem presentes. Nas grades do Sesc Venda Nova, faixas e bandeiras de torcidas amarradas, mostrando apoio às nossas atletas.

Às 15h a bola rolou, e o coração já estava a mil! O Galo entrou diferente, Hoffmann tirou a Iara e colocou Soraya. Seria para surpreender? As Vingadoras já começaram atacando, mostrando que não queriam jogar na retranca e fazer valer o regulamento. Galo joga é pra cima, Galo é vingador, e busca a vitória sempre! Mas nossas atletas também não queriam deixar que o América controlasse a partida e colocasse velocidade.

Foto: Yuri Laurindo

O primeiro tempo foi equilibrado. Ambas as equipes tiveram chances. As Vingadoras tentaram explorar a bola parada, já que apareceram algumas oportunidades perto da área, mas não conseguiram. A lateral direita demorou um pouco a se encaixar, talvez pela falta de entrosamento entre Leila e Soraya, que ocupavam ali. Mas em alguns minutos elas se encaixaram e fizeram boas jogadas avançando pela lateral, com Soraya bem aberta.

Na esquerda, Ilana descia com a segurança e domínio de sempre. Cinthia estava mais aberta por esse lado no primeiro tempo e participou muito bem. Ela estava inspirada! Foram tandos dribles que até perdi a conta. Passava com facilidade e a defesa americana precisava pará-la com faltas.

O primeiro grande susto que levamos foi aos 21 minutos, quando o América chutou e a bola passou perto do gol. Amanda mal tinha trabalhado até então. O último lance do primeiro tempo também foi de perigo para a defesa atleticana. Mas ficamos assim, 0 a 0 e equipes no vestiário.

Foto: Yuri Laurindo

A segunda etapa voltou no mesmo tom, com algumas chegadas a mais do América, que precisava vencer por 2 a 0 para levar pros pênaltis. Marques e Aninha apareceram mais na fase complementar, o que tava faltando para o Atlético, mas a defesa americana estava atenta! O tempo foi passando e a emoção almentando. Nenhum dos dois times marcavam e o relógio rodando e rodando. 30 minutos. 40 minutos. O América buscava ao menos o primeiro gol para incendiar a partida e tentar as penalidades, mas o relógio era amigo das Vingadoras, que tentavam controlar a partida sem recuar e deixar de ir ao ataque. 45 minutos e o juiz acrescentou mais 5! Pra que, juizão? Era pra acabar!! O banco já estava ansioso. Da transmissão, só ouvíamos as atletas reservas e a comissão técnica pedindo pelo encerramento da partida.

Foi quando o juiz apitou o fim da partida! O ATLÉTICO ESTÁ NA ELITE! O Atlético garantiu a vaga nas semi finais e o acesso à A1. Toda a delegação atleticana invandiu o campo e comemorou essa conquista! A atacante Bruna Marques atravessou o campo de joelhos!

Foto: Yuri Laurindo

Quem acompanha a modalidade sabe como as coisas são difíceis, em muitos momentos. Como ser mulher e jogar futebol é uma luta diária. Pra quem acompanha o Galo Feminino, sabe como tem sido complicado o entendimento do clube em relação às nossas atletas e ao futebol de mulheres. E quem acompanha o Galo Delas, sabe como lutamos e levamos pedrada, muitas vezes, por reinvidicar dignidade e condições básicas que muitas vezes são entendidas como ‘frescura’.

O acesso é de todos nós, que lutamos, apoiamos e acreditamos! É da comissão técnica, que trabalha repetidamente para extrair o melhor da equipe. É da Nina Abreu – e agora também da Carol Melo também – que trabalha incansavelmente para que tudo isso aconteça. É de cada atleta que deu seu sangue e seu suor dentro e fora de campo, que perdeu momentos preciosos com suas famílias longe de casa na batalha por um sonho. E esse sonho agora é realidade!

Foto: Fábio Xavier / Onze Minas

A gente está feliz demais. É uma emoção que não dá pra explicar, só sentir! Um orgulho de cada um que fez e faz parte dessa caminhada! Mas ainda não acabou! O primeiro objetivo foi atingido, agora vamos em busca do título.

O futebol feminino pausa para as Olimpíadas, mas em agosto temos as semi finais. Nossas adversárias saem do confronto entre Ceará e Cresspom, que ficaram no empate na primeira partida e se enfrentam amanhã. O Cresspom já conhecido pelas Vingadoras, já que integravam o Grupo E com a gente. E no Ceará, algumas carinhas são conhecidas, como a volante Nathália, que fez parte do elenco de 2020 e a zagueira Jiselle, que esteve por aqui em 2019. Aguardamos o resultado, mas precisamos estar preparadas para qualquer equipe que se classificar.

O Galo jogou com

Amanda, Leila (Jaque), Cotrim, Flávia Gil, Ilana, Marta, Day, Aninha (Guedes), Soraya (Nadine), Marques (Iara) e Cinthia

Foto: Yuri Laurindo

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